Arranha-céu em Tóquio utiliza vidro sísmico para absorção de vibrações

Mori JP Tower redefine arranha-céus em Tóquio com inovação sísmica e sustentabilidade.

No coração de Tóquio, a Mori JP Tower surge como um ícone da engenharia japonesa, combinando uma altura impressionante com robustez frente aos frequentes e assustadores terremotos da região. Inaugurada em 2023, essa estrutura de 325 metros e 64 andares é o edifício de uso misto mais alto do Japão.

Projetada como peça central de um complexo urbano que integra espaços verdes, áreas corporativas e espaços residenciais, o arranha-céu eleva a paisagem da capital nipônica com um design moderno e funcional. Essa abordagem a diferencia de estruturas como a Tokyo Skytree ou o Tokyo Tower, que são mais altos, porém priorizam transmissão e observação e não o uso misto habitacional e comercial.


Resistência sísmica avançada

A torre foi concebida para suportar eventos extremos como os grandes terremotos capazes de atingir o Japão. Seu perfil estrutural incorpora tubos de aço preenchidos com concreto de alta resistência e amortecedores de última geração, que minimizam oscilações e garantem operação contínua mesmo em condições adversas.

Além disso, um abrigo de emergência subterrâneo pode acomodar até 3.600 pessoas, reforçando sua vocação como refúgio seguro em cenários imprevisíveis.


Foco em sustentabilidade

No quesito ambiental, a Mori JP Tower opera exclusivamente com fontes renováveis de energia. O edifício aproveita o calor residual do sistema de esgoto para climatização e armazena água da chuva para irrigação das áreas verdes ao redor, promovendo eficiência e redução de impacto ecológico.

Embora não seja a mais alta em termos absolutos, a Mori JP Tower destaca-se pela integração harmoniosa de funcionalidade, segurança e inovação, consolidando-se como marco da arquitetura contemporânea japonesa.

Essa excelência em resistência sísmica ganha ainda mais relevância quando observamos a aplicação de vidros avançados em fachadas de arranha-céus como a Mori JP Tower. Esses vidros laminados e temperados especiais, projetados para flexionar sem estilhaçar durante tremores, protegem as grandes áreas envidraçadas – comuns em projetos modernos – garantindo não só a integridade estrutural, mas também a transparência estética que define a arquitetura de Tóquio.


O que é vidro sísmico?

Vidro sísmico refere-se a soluções avançadas de envidraçamento projetadas para zonas de alta sismicidade, como acontece com frequência no Japão. Esse modelo de vidro diferencia-se por vidros laminados especiais, compostos por múltiplas camadas de vidro temperado ou laminado unidas por interlayers (camadas intercalantes) de polímeros plásticos de alta flexibilidade.

Esses interlayers absorvem impactos e vibrações, evitando a propagação de fragmentos em caso de ruptura. Além disso, incorporam sistemas de fixação inovadores para dissipar energia sísmica sem ruptura imediata do painel. Na Mori JP Tower, por exemplo, esses elementos fazem parte da estratégia global de controle de vibrações, combinados com amortecedores de massa ativa.


Contribuição para absorção de vibrações

O vidro sísmico atua como dissipador passivo de energia, transformando vibrações sísmicas em deformações elásticas controladas. Lembramos que o vidro comum (rígido e frágil) estilhaça sob cargas dinâmicas, gerando riscos de queda e falha em cascata na fachada. Já o vidro sísmico, com interlayers viscosos, mantém a integridade pós-ruptura, retendo 99% dos fragmentos.

O conjunto é sinérgico: o vidro sísmico, os interlayers (com propriedades hiperelásticas que variam com taxa de carga), perfis de alumínio ou aço flexíveis e ancoragens com silicone estrutural ou conexões pontuais. Essa composição integra o vidro ao sistema de segurança da edificação, reduzindo cargas transferidas à estrutura principal e permitindo que a fachada permaneça operacional durante tremores de alta magnitude.


Benefícios da tecnologia

A adoção de vidros sísmicos eleva a segurança estrutural, minimizando riscos de estilhaçamento. Dessa forma, protege usuários internos e o entorno urbano, mantendo a barreira contra elementos e, se especificado corretamente, também contra o fogo.

A manutenção é simplificada, com painéis que permanecem no local pós-evento, reduzindo custos. Crucialmente, preserva a transparência e estética arquitetônica, permitindo vistas panorâmicas e entrada de luz natural – essencial em torres como a Mori JP, que usa fontes renováveis e reuso de água para sustentabilidade.


Impacto arquitetônico e estético

Em projetos como a Mori JP Tower, vidros sísmicos habilitam a criação de fachadas leves e transparentes, reduzindo o peso total em até 40% comparado a sistemas opacos. Isso diminui a dependência de elementos estruturais aparentes, como vigas expostas, liberando espaço para designs fluidos e curvos.

Arquitetos ganham liberdade criativa em zonas sísmicas: painéis pontuais fixos criam ilusões de levitação, enquanto a transparência reforça a conexão visual com o ambiente urbano. No Brasil, onde edifícios altos em São Paulo e Rio enfrentam sismos de leves a moderados, essa tecnologia inspira fachadas modernas sem comprometer a norma NBR 7199 para vidros de segurança.

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