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26.06.2020

Arquitetura em vidro a favor das aves

Como a indústria vidreira pode auxiliar a reduzir as mortes de pássaros ao redor do mundo?

A relação da arquitetura com os seres vivos sempre teve objetivo benéfico. Desde o início a arquitetura almejou realizar transformações para melhorar a qualidade de vida das pessoas levando em consideração diversos aspectos técnicos, como cultura, estética e conceito histórico. Atualmente, o impacto ambiental que será provocado por uma construção é mais um dos aspectos que devem ser considerados em um projeto arquitetônico.

O intuito é minimizar grandes danos ao utilizar materiais específicos para gerar o menor impacto ambiental possível. Resumidamente, os projetos devem transpor a questão da estética e considerar outros fatores, como a arquitetura sustentável e o bem estar dos animais, não somente os domésticos, mas também os silvestres – como as aves – afinal de contas, estamos interferindo em seu ecossistema.

Como sabemos, o vidro está presente em diversas realizações da arquitetura moderna, seja para compor elementos básicos, como portas e janelas, ou para definir projetos imponentes, como grandes fachadas de prédios. Acontece que o vidro costuma ser um grande vilão para os pássaros, que não conseguem distinguir os reflexos do vidro da realidade, se chocando contra as estruturas.

Isso acontece porque a maioria dos pássaros não possuem grande noção de profundidade. A percepção não vai além de seus bicos, de modo que eles precisam estar muito perto do vidro para conseguir distinguir pontos de reflexão. O resultado é a morte de dezenas de milhões de pássaros todos os anos ao redor do mundo vítimas de colisão com estruturas envidraçadas.

Os grandes edifícios não são os únicos responsáveis pelos números negativos. A área de colisão dos pássaros não se limita aos pontos mais altos, pois abrange também áreas mais baixas – no momento em que as aves descem para descansar dos voos. Ou seja, pequena, média ou grande, a estrutura envidraçada pode virar uma armadilha mortal para muitas espécies de pássaros ao redor do mundo.

A notícia boa é que, apesar de a urbanização moderna interferir no habitat natural das aves, muitas dessas mortes podem ser evitadas com a escolha da tecnologia correta. De soluções visíveis às invisíveis ao olho humano, a indústria do vidro criou modelos de vidro com variações capazes de evitar as mortes das aves, pois facilitam a identificação das barreiras de vidro pelos pássaros.

Dentre as opções invisíveis ao olho humano destacamos dois tipos de vidros especiais. O primeiro trata-se dos vidros com revestimento que reflete a luz ultravioleta. A luz UV é facilmente notada pelas aves, o que possibilita que eles percebam o vidro como barreira durante o voo e com tempo suficiente para mudar o percurso.

O segundo destaque fica por conta dos vidros fotovoltaicos, que além de diminuir o consumo de energia elétrica, podem apresentar níveis de transparências diversos e serem capazes de refletir a luz ultravioleta (através de filmes especiais).

Sobre as soluções visíveis podemos destacar o vidro colorido e o vidro dicroico. Com a tecnologia presente o mercado vidreiro consegue oferecer vidros com cores distintas e diferentes níveis de opacidade. Já o vidro dicroico é multicolorido (semelhante a um caleidoscópio), capaz de transmitir e refletir a luz.

Além disso, é possível adotar a instalação de adesivos ou iluminação das faixas envidraçadas. Apesar de serem soluções limitadas, podem contribuir para diminuir os episódios de morte de pássaros por colisão no vidro. Não podemos nos esquecer de que as aves são grandes espalhadores de sementes e se alimentam de insetos, portanto, qualquer ave morta é um desserviço ecológico e, consequentemente, prejuízo a nós mesmo.