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07.11.2019

Como é feito o vidro?

Entenda como é feito o vidro?

Areia, sódio, cálcio e muito calor. Quem diria que essa junção resultaria em uma composição molecular única que após ser submetida a tratamentos químicos daria vida a um produto único, atualmente chamado de vidro? Se hoje em dia isso pode causar surpresa, imagina na antiguidade, onde nunca haviam visto algo parecido?

A história diz que o vidro foi descoberto por acaso, quando viajantes faziam fogueiras para se aquecer nas praias. No local onde eram feitas as fogueiras era possível observar uma gosma cristalina intrigante escorrendo, que não era sólida, mas também não era líquida por completo.

Após estudos ficou comprovado que aquela gosma era resultado da submissão da areia da praia – que continha sílica, barrilha (carbonato de sódio), cálcio e outros óxidos minerais – ao calor da fogueira. Esses elementos, quando submetidos ao calor, dá vida ao composto base da placa de vidro.

Vidro é feito de que?

Na fabricação do vidro a areia compõe aproximadamente 70% do total. É na areia que se encontra a sílica, composto resultado da mistura de oxigênio e silício (dióxido de silício). A sílica é o que garante a característica vítrea do produto.

Para atribuir resistência mecânica recorre-se à barrilha, da onde se extrai o sódio. Além de resistência mecânica, o sódio é responsável por diminuir o ponto de fusão da sílica, permitindo que o elemento derreta mais fácil. Para garantir a estabilidade do vidro contra ataques de agentes atmosféricos é adicionado cálcio, terceiro elemento mais importante da composição do vidro.

Estudos mais aprofundados posteriores mostraram ainda que era possível recorrer a outros elementos químicos para alcançar resultados diferentes, como por exemplo:

– Alumina: Em baixa porcentagem aumenta a resistência da placa de vidro.

– Magnésio: Eleva a resistência mecânica, resistência para alterações repentinas de temperatura e resistência para o vidro em si.

– Níquel: Produz um vidro com tonalidade azul.

– Óxido de titânio: Dá vida à placa de vidro com tonalidade amarelada / marrom.

Esses elementos são encaminhados a fornos com temperaturas exorbitantes, de aproximadamente 1.500° C, onde serão fundidos e misturados, resultando em uma calda pastosa e viscosa, nem líquida nem sólida e que até hoje intriga os cientistas.

Produção do vidro

Após misturada, a calda pastosa é despejada em um tanque com estanho líquido, onde flutuará (float) e ganhará sua forma plana, porém, ainda passível de ser moldada. Para finalizar a primeira etapa, a placa é resfriada e fica disponível para ser utilizada de diversas formas.

Vale lembrar que essa é a composição básica de toda chapa de vidro, afinal de contas, todos os outros vidros especiais são derivados do vidro comum. É dessa mistura que a indústria vidreira faz o vidro laminado, vidro temperado, vidro serigrafado e todos os outros vidros especiais disponíveis no mercado.

O vidro se destaca de outros materiais por várias particularidades:

– O vidro não é poroso;

– Placas de vidro não absorvem umidade;

– O vidro apresenta baixo índice de dilatação;

– O material pode suportar pressões de até 10.800 kg por cm²

– A placa de vidro é considerada de baixa condutividade térmica;

– Utiliza recursos abundantes na natureza;

– É um material duro, resistente e que não desgasta;

– Único elemento que oferece barreira física sem obstruir a visão;

Na construção civil, há registros do uso do vidro desde o final do século XIX, dando seus primeiros passos para se tornar tão popular quanto o aço e concreto. Entretanto, o vidro já foi algo restrito apenas às altas camadas da sociedade, participando da decoração de castelos e outras edificações equivalentes.

Com a Revolução Industrial o vidro se popularizou e passou a levar sua beleza e modernidade para todas as classes sociais, conquistando seu espaço de vez ao se tornar alternativa acessível para a elaboração de projetos leves, inovadores e funcionais.