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27.06.2019

Casa de vidro recebe intervenção artística

Com a utilização de tecidos, a artista Lucia Koch consegue dar vida ao vidro, fazendo com que sintamos a presença do tempo através da visão e sensações na pele e músculos.

A Casa de Vidro, um ícone da arquitetura moderna e ponto de encontro entre artistas, arquitetos e intelectuais recebe mais uma intervenção artística que promete causar sensações únicas. Idealizada pela artista Lucia Koch, a intervenção interage com a casa através de tecidos (cortinas). O objetivo é atribuir vida às superfícies envidraçadas, que durante anos e anos chamam a atenção de todos, justamente, pela sua invisibilidade.

Ao unir arquitetura, vidros e o uso de malha, Lucia Koch cria um diálogo com a casa, de modo que as paredes de vidro (quase imperceptíveis) passam a existir como limites visuais, demonstrando as divisões do espaço interno da casa. Entretanto, essa não é a maior novidade da intervenção. A utilização de cortinas no espaço possibilita que, à medida que os visitantes andem pela casa, consigam sentir todas as alterações de luz e movimento presentes.

A artista que assina a obra é reconhecida por utilizar telas, fotografias, filtros e vídeos em seus projetos. Lucia Koch costuma realizar investigações sobre luz, espaços, movimentos e tempos, sempre em diálogo com os elementos arquitetônicos. Na Casa de Vidro, Koch utilizou cortinas quase transparentes nas cores azul e âmbar no envolto das fachadas de vidro da casa, com imagens projetadas nelas.

As cores das cortinas não foram escolhidas aleatoriamente. A tonalidade azul e o laranja- amarelado do âmbar levam o visitante a relembrar das variações de cores do céu ao longo do dia, além de evidenciar – fisicamente falando – o tempo por meio do movimento.

“Os extremos do gradiente de cores utilizado nos tecidos descrevem o arco Leste-Oeste da orientação das fachadas laterais da Casa de Vidro”, disse Luís Antônio Jorge, arquiteto, explicando a intervenção de Lucia Koch na Casa de Vidro.

As ondulações do tecido são visualizadas nas esquadrias metálicas da mesma forma que as sombras são projetadas no tecido, mas a intenção do projeto vai além da simples utilização de malhas nas fachadas de vidro. A intervenção de Lucia Koch pretende criar um deslocamento na compreensão da realidade através de sensações únicas alcançadas através da sobreposição de camadas.

Os tecidos sobre o vidro ganham movimentos que entregam a passagem do tempo, do mesmo modo que a imagem projetada na cortina demonstra que aquele cenário não é fotográfico, conduzindo o observador a imergir no espaço. De certa forma, o trabalho de Lucia Koch consegue comprimir e expandir a linha do tempo através da força do vento e das cortinas que ora tremulam, ora ficam estagnadas.

O que a artista externa é justamente a noção de movimento vivo, demonstrada ali através dos elementos (vidro e malha), fazendo transbordar luminosidade, linha de visão, adaptação das cores e padrões, atmosfera, pulsação do vento, ofuscamento e realce, movimentos, reflexão. De uma forma descomplicada, a artista consegue dar vida ao vidro.

“A Casa de vento sublinha o tempo na apreensão do espaço.” completa o arquiteto Luís Antônio Jorge. De certa forma a obra de Lucia Koch evoca a imagem do tempo celeste e a movimentação dos astros em um espaço clássico e moderno, tudo em sincronia e perceptível aos olhos, na pele e até mesmo nos músculos. A intervenção de Lucia Koch na Casa de Vidro vai até o dia 31 de agosto.

Sobre a artista

Depois de participar de um projeto coletivo chamado Arte Construtora, Lucia Koch desenvolveu um forte gosto por espaços domésticos e públicos. A partir da observação a artista consegue perceber como determinado espaço se relaciona com a vida. Não por acaso criou trabalhos singulares, como um projeto para banho turco em Istambul em 2003 ou um bairro de comércio de tecidos no atacado, em Nagoya em 2010.

Além de ter participado de bienais conceituadas no Brasil e exterior, Lucia Koch possui obras em importantes centros públicos espalhados pelo mundo, como na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, de Recife, Fundación ARCO (Espanha), LACMA – Los Angeles County Museum of Art (USA), National Gallery of Victoria (Melbourne, AUS), , University of Warwick (UK) e Musée d’Art Contemporain de Lyon – MAC (Lyon, França), dentre outros.

Casa de Vidro – Instituto Lina Bo e PM Bardi

A residência que serviu de moradia para o casal Lina Bo e Pietro Bardi por mais de quatro décadas recebeu esse nome devido à sua fachada de vidros que parece estar suspensa. A Casa de Vidro possui um jardim enorme (7.000 m²) e é um ponto de pesquisa e troca de idéias entre pesquisadores, profissionais e estudantes do Brasil e do mundo.

O imóvel foi tombado no ano de 1987 e atualmente é a sede do Instituto Lina Bo e PM Bardi; o instituto tem como principal objetivo promover e divulgar a arquitetura, urbanismo e arte popular brasileira, mantendo aceso o pensamento do casal.

As visitas são guiadas por educadores. O Instituto Bardi não conta com estacionamento nem praça de alimentação. Oferece wi-fi para visitantes. Para quem deseja visitar o local, os ingressos custam R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

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