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14.02.2019

Energia solar – Transforme sua janela em um painel solar

Antes limitados a placas de vidro com altos índices de coloração, a indústria do vidro agora pode contar com vidros transparentes capazes de gerar energia a partir da luz solar.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan (Michigan State University) conseguiu criar uma placa de vidro totalmente transparente que consegue captar energia do sol. Os pesquisadores desenvolveram placas de vidro com concentrador solar luminescente transparente, capazes de criar energia solar ao mesmo tempo em que permitem a entrada de luz natural.

O concentrador luminescente utiliza moléculas orgânicas para captar os comprimentos de onda UV e IV, direcionando-os para as bordas da placa de vidro, onde essas ondas são transformadas em eletricidade com o auxílio de faixas com células fotovoltaicas.

A nova tecnologia promete vantagens singulares que permitirão sua aplicação em diversos segmentos, o que teoricamente facilitaria a sua produção em escala comercial e industrial, tornando a tecnologia acessível.

Esse cenário poderia amplificar a produção de energia solar, tendo em vista que o concentrador solar pode ser colocado em cima de uma superfície clara como uma janela, por exemplo. Além do mais, como o comprimento vertical dos prédios é maior do que o da sua cobertura (onde geralmente se instalam os painéis solares tradicionais), teoricamente, os vidros com concentrador solar poderiam aproveitar o máximo da luz solar que incide sobre as fachadas dos edifícios.

Vale lembrar que a possibilidade de captar energia através do vidro não é nova. Pesquisas anteriores já conseguiram desenvolver um painel feito de vidro com películas fotovoltaicas que apresentavam índices satisfatórios de conversão dos raios solares em energia limpa.

O fato é que, de alguma forma, os resultados obtidos acabavam decepcionando os pesquisadores, tendo em vista que os painéis solares de vidro se apresentavam como materiais altamente coloridos, impossibilitando a utilização do elemento em estruturas envidraçadas, tendo em vista que a coloração impedia a entrada de luz natural.

Conforme informa o professor assistente de engenharia química e ciência de materiais da Michigan State University, Ricardo Lunt, o intuito principal era criar uma engenharia para captar luz do sol que possibilitasse a entrada de luz natural, de forma que as células fossem 100% transparentes.

Lunt afirma que “(…) ninguém quer sentar-se atrás de um vidro colorido [pois] eles transformam o ambiente em uma discoteca! Tomamos uma abordagem onde transformamos a camada ativa luminescente em transparente(…)”.

O professor completa o raciocínio, dizendo que é possível sintonizar os elementos para captar somente os raios ultravioleta e os comprimentos de onda infravermelho próximo, o que possibilita o seu uso para diminuir o ganho de calor solar (controle solar). “(…) já existem tecnologias de filtros para janelas que rejeitam a luz infravermelha, como os revestimentos low-e. Nós buscamos uma funcionalidade similar, ao mesmo tempo em que geramos eletricidade (…)”, finaliza Ricardo Lunt.

Os vidros com concentrador solar transparente apresentam índices de eficiência de conversão próximo de 01%, um pouco distante dos índices de conversão oferecidos por sistemas de concentrador solar colorido, que podem atingir 07%. Entretanto, os pesquisadores pretendem aperfeiçoar a produção de energia da nova tecnologia, objetivando ultrapassar 05%.

Quando comparado com a eficiência de painéis solares, o concentrador solar transparente pode apresentar pouca produtividade, mas é preciso se atentar que o vidro pode ser instalado em diversas áreas sem atrapalhar a luminosidade do ambiente, o que teoricamente compensaria a baixa eficiência.

Em todo caso, os idealizadores do projeto vislumbram um futuro promissor para a nova tecnologia, não apenas no ramo arquitetônico, mas também em outros segmentos, como o setor da telefonia e indústria automobilística.

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