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18.10.2019

Novo tipo de vidro que se regenera sozinho

Yu Yanagisawa, cientista japonês, desenvolveu um novo tipo de vidro que se regenera sozinho, sem que precise ser submetido às altas temperaturas.

A novidade está longe de chegar à indústria, mas já causa alvoroço no segmento vidreiro e alimenta os sonhos dos ambientalistas. Um novo tipo de vidro, desenvolvido por acidente por um grupo de cientistas japoneses – do qual Yu Yanagisawa faz parte – tem a capacidade de se reconstruir sozinho, sem a necessidade de ser submetido às elevadas ondas de calor para devolver sua resistência. O vidro que se regenera pode ser reconstruído moldando-se os pedaços.

A invenção causa alvoroço em diversos segmentos porque possibilitará a idealização de materiais com maior resistência e, como conseqüência, de maior vida útil. O cientista Yu Yanagisawa, em entrevista à agência de notícias AFP, explica resumidamente como sua invenção pode contribuir para esse cenário acima descrito.

“Não é realista pensar em consertar algo que está quebrado, mas sim criar resinas de vidro mais resistentes. Quando um material se rompe, é porque já havia acumulado pequenas cicatrizes antes. Poderíamos conseguir duplicar ou triplicar a vida útil de algo que atualmente dura 10 ou 20 anos”

O grupo de cientistas está ligado ao Departamento de Química e Biotecnologia da Universidade de Tóquio e são coordenados pelo Professor Tazuko Aida. Conforme consta, o vidro que se regenera foi criado a partir da combinação de um polímero e tiourea (tiocarbamida); para ativar sua capacidade de se regenerar basta que o material seja pressionado – manualmente – por 30 segundos em média, em uma temperatura de 21º C.

O material lembra mais o acrílico, diferente dos cristais minerais utilizados nos aparelhos de celulares, por exemplo; e o segredo de sua regeneração está na tiourea, que se utiliza das ligações de hidrogênio para atribuir propriedades autoadesivas ao cristal, conforme explicou Yu Yanagisawa.

Durante uma demonstração realizada em laboratório, o cientista quebrou uma peça de vidro em duas partes. Ato seguinte juntou os dois pedaços por 30 segundos, manualmente, até que o vidro se recompôs, voltando à forma original antes da quebra. Para provar a solidez da placa Yanagisawa colocou uma garrafa de água em cima do vidro, que permaneceu sólido.

O novo vidro abre outra dimensão para a fabricação e aplicação do vidro, que agraciaria principalmente as indústrias automobilísticas, de telefonia celular e construção civil. Vale lembrar que, apesar da descoberta não significar que seja possível colar cicatrizes em uma tela de celular, por exemplo, desde já a tecnologia ajudará os pesquisadores a encontrar alternativas para tornar diversos objetos mais duradouros.

Entretanto, o descobridor do vidro que se reconstrói espera que sua invenção também seja bem aproveitada pela sociedade em prol do meio ambiente.

 “(…) Espero que o vidro que se conserta sozinho seja um novo material ambientalmente amigável, que não precisa ser descartado quando quebra (…) ”, complementou o Yanagisawa.

O mais incrível é que Yu chegou a esse resultado totalmente sem querer. O grupo do qual faz parte estava analisando novas tecnologias para fabricação de adesivos que podem ser aplicados em superfícies molhadas.

Cabe ressaltar que alguns pesquisadores já haviam realizado estudos e conseguido ativar funções regenerativas em materiais similares, como borracha ou gel, mas atribuir características de auto reparação em peças de vidro somente foi possível após o ‘acidente’ de Yu Yanagisawa.

O vidro que se auto regenera ainda precisa ser aperfeiçoado. O protótipo demonstrou que sua resistência diminui quanto a temperatura atinge entre 40° C e 45° C. Também não é possível, ainda, aplicar a tecnologia de regeneração em vidros quebrados que foram fabricados por materiais mais antigos.



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