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23.04.2021

Peças de vidro com mais de 500 anos são encontradas no Alasca

Itens de vidro podem representar os objetos europeus manufaturados mais antigos já encontrados nas Américas.

Recentemente a revista American Antiquity publicou uma matéria noticiando a descoberta de pequenos artefatos de vidro presentes em terras americanas antes mesmo da chegada de Cristovão Colombo ao continente. Pesquisadores encontraram, no norte do Alasca, um conjunto de contas de vidro venezianas produzidas entre os anos de 1397 e 1488.

A datação foi possível graças à um barbante de fibra natural que se encontrava preso às contas de vidro. O conjunto – que possivelmente foi um par de brincos e um colar – foi submetido a um teste de datação de carbono – 14 a pedido dos arqueólogos Robins Mills e Michael Kunz, do Boreau of Land Management e Universidade do Museu do Alasca do Norte, respectivamente.

Os pesquisadores se surpreenderam tanto com a idade das peças quanto pela distância percorrida pelas mesmas, tendo em vista que Veneza se encontra a aproximadamente 16 mil km de distância do Alasca. Segundo os pesquisadores, a possível causa do grande deslocamento foi o escambo de produtos, comuns naquela época.

Os arqueólogos acreditam que as peças de vidro tenham chegado em terras americanas através da rota da seda, pelo estreito de Bering; uma via de comercio muito conhecida pelos povos asiáticos, porém, nem tanto pelos europeus. Ainda segundo consta na matéria, o local onde as contas de vidro foram encontradas tratava-se de uma antiga área comercial frequentada por povos que se ocupavam principalmente com a caça e pesca.

Os pesquisadores afirmaram que, entre as décadas de 50 e 60, um pesquisador chamado William Irving já havia encontrado outras duas peças de vidro e, mais recentemente – entre 2004 e 2005 – uma equipe liderada pelo próprio Michael Kunz encontrou mais três artefatos de vidro da mesma categoria.

Este cenário levou Michael Kunz e Robins Mills a refazer estudos na área. Durante as novas escavações encontraram outras contas com fragmentos metálicos, além do fio de fibra natural que auxiliou no processo de descoberta da idade das peças.

“Quase desmaiamos quando os resultados chegaram; voltaram dizendo que era desde os anos 1400. Foi um grande UAU. Quase caímos pra trás “, relembra Michael Kunz.

O teste de datação que mostravam que os artefatos foram fabricados no século XV foi confirmado por diversos outros procedimentos posteriormente, procedimentos estes que auxiliaram os arqueólogos a afirmar que as contas de Veneza haviam chego em terras americanas antes mesmo de Cristovão Colombo desembarcar por lá.

“Esta foi a primeira vez em que materiais indubitavelmente europeus apareceram no Novo Mundo por transporte terrestre”, afirmou Kunz.

Cabe destacar que, no século XV, os artesãos da cidade de Veneza negociavam suas peças com pessoas do mundo todo, principalmente com os povos da Ásia. Por esses motivos os pesquisadores acreditam que os artefatos de vidro tenham percorrido a Rota da Seda em direção à China, com alguns comerciantes desviando seu caminho até o oeste da costa do Mar de Bering – que dava acesso a travessia para o que hoje é o Alasca.

Também convém lembrar que a fabricação do vidro europeu teve origem em Veneza por volta do ano 700; e que a maioria dos pesquisadores desse universo concordam que qualquer artefato de vidro com o desenho semelhante às contas encontradas na expedição e produzida na Europa no século XV foi manufaturado em Veneza, segundo afirma os arqueólogos.

A hipótese mais provável é que as contas de vidro foram amarradas em forma de colar e perdidas – ou deixadas para trás, permanecendo por muitos e muitos anos soterradas sob as terras geladas do Alasca aguardando para serem encontradas e enriquecerem ainda mais a história do vidro e da civilização.

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