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24.07.2019

Perspectivas Paralelas – Intervenção altera a percepção com o uso de cores e luzes

Dupla de artistas reinventam os espaços da famosa McCormick House. A instalação utiliza vidro e luzes coloridas em todas as intervenções realizadas na casa.

A arte imersiva de Petra Bachmaier e Sean Gallero – do grupo Luftwerk transforma a famigerada residência projetada por Mies van der Rohe em um verdadeiro caleidoscópio imersivo. Perspectivas Paralelas explora o jogo de luz e cor para alterar a percepção do espectador – aumentando todos seus sentidos. Através do vidro e formas geométricas, a Luftwerk consegue integrar conceitos físicos e históricos, revelando detalhes singulares ao atribuir uma nova interpretação para a Casa McCormick.

Considerada uma experiência única, a instalação conta com vários elementos de luzes e cores, estáticas e dinâmicas, incluindo efeitos espelhados com neon, projeção de luzes pulsantes e diversos painéis de vidros coloridos. A intenção dos artistas é impactar visualmente os espectadores, alterando as percepções de espaço comuns da casa, sem deixar, no entanto, de respeitar os conceitos minimalistas de Mies e o ambiente doméstico da McCormick House.

É a instalação mais recente da série de obras específicas da Casa McCormick, encomendada pelo Museu de Arte de Elmhurst devido à sua restauração. O projeto faz parte das celebrações mundiais de aniversário da Escola de Arte Alemã.

Em uma entrevista para a Revista Elmhurst Art Musem, Petra e Sean responderam a algumas curiosidades sobre a amostra artística. Os artistas disseram que a luz e as cores são os elementos principais de suas obras desde o começo de seus trabalhos. Afirmaram ainda que suas inspirações abrangem tanto a arquitetura quanto a cidade, na intenção de compreender as alterações de percepções e as experiências do mundo. Veja abaixo alguns trechos da reportagem:

“(…) Como vocês chegaram ao ponto de fazer obras específicas em edifícios arquitetonicamente significativos?

A arquitetura nos encontrou em um momento fortuito no ano de 2010 e desde então mantemos uma relação com muita disciplina. Fomos contratados para fazer um projeto na Robie House, de Frank Lloyd Wright, em Chicago. Para esse trabalho criamos o Projecting Modern, uma instalação imersiva e específica para cada espaço.

Isso naturalmente se alinhou com nosso interesse por espaço e luz e lançou as bases para um caminho que nos levou a trabalhar com uma série de edifícios significativos. Enquanto continuamos a colaborar com edifícios, também trouxemos o que aprendemos de prédios – qualidades espaciais, interações de luz, mudanças de percepção – em explorações livres das restrições físicas da arquitetura, vistas nesta exposição para a Casa McCormick no Elmhurst. Museu de Arte.

Esta instalação não é a primeira que vocês interagiram em um prédio projetado por Mies, e não será o único este ano. Vocês poderiam transmitir esse interesse específico em seu trabalho?

Mies desempenha um grande papel em nossa vida. Está em Chicago, seu trabalho também é difundido em nossa cidade. Nos últimos anos, tivemos a oportunidade de trabalhar com a Farnsworth House (2014), o Arts Club de Chicago (2016) e o Pavilhão de Barcelona (2019). 

Esses projetos nos deram uma compreensão íntima e pessoal de Mies. Em nossa prática, novas idéias foram inspiradas ao experimentar como a luz viaja através de sua arquitetura. Desde a natureza reflexiva das paredes de vidro até a clareza de sua forma, as características destiladas de seu trabalho nos ensinaram muito sobre o nosso trabalho e nos deram novas perspectivas e ferramentas.

Nós, naturalmente, nos alinhamos com suas filosofias ‘menos é mais’ e ‘Deus está nos detalhes’. Acima de tudo, é muito complexo alcançar um estado eficaz de simplicidade. O envolvimento com a arquitetura de Mies nos deu uma plataforma para entender conceitos espaciais e desenvolver novas formas de trabalho. 

Esta exposição é o resultado de cerca de um ano no planejamento. O que se destacou para você sobre a Casa McCormick?

Flexibilidade e modularidade se destacaram para nós neste trabalho. Como a casa foi projetada para ser replicada e reproduzida em vários locais, o local tornou-se menos importante do que em projetos como o Farnsworth House.

 Isso nos permitiu desenvolver ideias inspiradas na arquitetura de Mies sem responder diretamente à casa, por si só. Perspectivas Paralelas é um passo em nossa própria direção, usando suas filosofias básicas. Esta exposição combina idéias da teoria das cores de Johannes Men e os conceitos básicos da Bauhaus: com a geometria de um quadrado como uma forma predominante e jogando com perspectiva de um ponto e ângulos de 90 graus.

Isso nos deu a oportunidade de elaborar as idéias de Mies e desenvolvê-las em nossa própria forma e formato. Essa abordagem – para torná-la nossa dentro da concha de Mies – é uma que acreditamos estar alinhada com a ideia de uma casa modular.

Como o potencial tingimento de cor proposto pelos desenvolvedores McCormick e Greenwald influenciou o show?

O potencial para colorir as janelas em qualquer sombra tornou-se o ponto de partida do desenvolvimento de Perspectivas Paralelas. Optamos por deixar as janelas da estrutura sem pintura e brincar com a cor por dentro. Isso reflete nossa abordagem para esta exposição – para levar as idéias de MS ao nosso trabalho versus engajar-se diretamente com a arquitetura de Mies. (…)”

O grupo Luftwerk foi fundado no ano de 2007 e desde então acumulou trabalhos significativos, sempre com o poder da luz como elemento protagonista. Além de Mies van der Rohe, o grupo já interagiu com outros arquitetos icônicos, como Frank Lloyd Wright e Renzo Piano.

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