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17.06.2019

Nova torre da Catedral de Notre Dame poderá gerar energia limpa

Assim que o governo francês determinou a reconstrução da Catedral Notre Dame, diversos projetos homenageando o monumento já foram elaborados. O arquiteto belga Vincent Callebaut, famoso por trabalhos futuristas e que dialogam com o meio ambiente, apostou na utilização do vidro para transformar o telhado da catedral em um polo de captação de energia.

O arquiteto Vincent Callebaut, reconhecido por agregar o meio ambiente aos seus projetos com características futuristas, sustenta que o telhado da Catedral de Notre Dame deva ser transformado em uma fazenda urbana, um projeto ambicioso que visa promover uma relação mais sadia entre os humanos e a mãe natureza.

A nova torre, que seria construída com vigas de madeira laminada cruzada e utilizando-se do mínimo possível de material para amplificar a transparência da cobertura do monumento histórico, teria o vidro como material escolhido para cobrir a estrutura de madeira. A intenção do arquiteto é transformar o telhado em um polo de energia positiva, ou seja, que produz mais energia do que consome.

Segundo o idealizador do projeto, a ideia é produzir energia positiva através da adição de vidro tridimensional. O vidro tridimensional garantiria também o controle térmico e a ventilação passiva do projeto. Os vidros – facetados em forma de diamante – se transformariam em uma camada ativa de carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio, capaz de absorver a luz e convertê-la em energia limpa. Essa energia seria armazenada em células e redistribuída para a catedral.

Com relação ao controle térmico, a nova arquitetura da cobertura seria equipada com um espaço capaz de facilitar a transição térmica, acumulando ar quente no inverno e isolando os ambientes da catedral do frio, e no verão, através da evapotranspiração das plantas da fazenda urbana, liberaria ar fresco para a estrutura. Segundo o arquiteto, esse cenário tornaria a nova estrutura em um exemplo ecológico e pioneiro em resiliência ambiental, além de reforçar a mensagem de paz e conforto espiritual passada pela catedral.

“A nova arquitetura da torre, como uma mortalha que surge do transepto, evoca o renascimento, mas também o mistério da catedral e a ressurreição de Cristo. E sob a mortalha, vida e renovação emergem. A Notre Dame deslumbra o mundo novamente enquanto amplia sua mensagem universal de paz e sua aspiração espiritual” – comentou o arquiteto através de seu escritório – Vincent Callebaut Architectures.

O projeto de Callebaut ainda está no papel, mas a utilização de vidros como captador de energia não é uma novidade na indústria do vidro. Há anos o segmento vidreiro estuda alternativas para utilizar o vidro como uma fonte de captação de energia, contribuindo ainda mais para o reaproveitamento dos recursos naturais disponíveis em nosso planeta.

Dessas alternativas já surgiram painéis de vidros com películas fotovoltaicas, que apresentaram índices elevados de conversão de energia. Entretanto, os resultados não agradaram totalmente os cientistas, pois os painéis ficaram com colorações que impossibilitavam a entrada de luz natural.

Recentemente, estudiosos da Universidade de Michigan apresentaram uma placa de vidro totalmente transparente que consegue captar energia do sol. As placas de vidro foram equipadas com concentrador solar luminescente transparente, que permitem captar a energia solar ao mesmo tempo em que deixa a luz natural entrar.

O resultado apresentado é animador, pois a nova placa de vidro se transforma em um painel solar e pode ser utilizada em portas, janelas, coberturas, sacadas, telhados e fachadas, por exemplo, pois permitirá a iluminação do ambiente ao mesmo tempo em que aproveita o máximo dos raios solares que incide sobre a estrutura envidraçada.

O concentrador solar luminescente transparente capta os comprimentos de onda UV e IV através das moléculas orgânicas, direcionando-os para as células fotovoltaicas presentes na borda do vidro. Nesses modelos, as células fotovoltaicas são as responsáveis por converter a luz solar em eletricidade.

O professor de engenharia química e ciência de materiais da Universidade de Michigan, Ricardo Lunt, um dos idealizadores do projeto, relata ainda que, ao direcionar os elementos para captar os raios UV e IV próximos, é possível aumentar o controle solar nos ambientes.

 (…) já existem tecnologias de filtros para janelas que rejeitam a luz infravermelha, como os revestimentos low-e. Nós buscamos uma funcionalidade similar, ao mesmo tempo em que geramos eletricidade (…)”, comenta Lunt, finalizando que o intuito principal era, justamente, criar uma placa de vidro capaz de captar a luz do sol sendo 100% transparente.

Tendo em vista que a tecnologia é recente e ainda pouco difundida, os painéis de vidro solares apresentam menores índices de conversão quando comparado aos painéis solares tradicionais. Entretanto, é preciso levar em consideração que estudos mais aprofundados podem trazer novos resultados, além de que, o vidro pode ser instalado em uma grande área sem prejudicar a iluminação do ambiente ou a visão, o que compensaria a diferença de valores.

Assim como na cobertura da Notre Dame, investir em energia fotovoltaica no Brasil pode ser uma grande ideia. O país está entre os 10 mercados mais atraentes para o setor, a região menos ensolarada brasileira apresenta radiação solar maior que a região mais ensolarada da Alemanha – um dos países que mais produz energia fotovoltaica do mundo.

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